Em que consiste a depressão?
A depressão é uma desativação cerebral, uma alteração neurobiológica que pode afetar não somente o humor, mas também os pensamentos, emoções e disposição física.
É um transtorno mental que afeta quase 10% da população mundial e mais de 16,3 milhões de brasileiros, segundo IBGE.
É uma doença extremamente séria que precisa de tratamento, pois afeta consideravelmente a vida pessoal e profissional do indivíduo, prejudicando suas relações interpessoais e a execução prática de suas próprias capacidades diante do mundo real.
Além disso, a depressão pode ajudar a desencadear ou potencializar outros problemas de saúde, de ordem física, agravando ainda mais o quadro geral.
Dra Veronica Licitra – médica especialista em depressão
Dra Veronica Licitra é médica, atua na área de psiquiatria, é especialista em depressão. Nos últimos anos tem acompanhado e tratado muitos pacientes com depressão, inclusive os casos graves e resistentes.

Atualmente a Dra Veronica estuda depressão com enfoque em tratamentos com medicações mais modernas que não causam dependência.
Confira alguns depoimentos de pacientes já atendidos pela Dra:


Você sabia?
Estima-se que entre 20% e 25% da população teve, tem ou terá depressão, sendo essa a doença psiquiátrica com maior prevalência no Brasil.
O Brasil tem a maior taxa de depressão da América Latina e a segunda maior das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.
Estima-se, segundo a OMS, que mais de 10% das pessoas acima de 18 anos receberam o diagnóstico, sendo 3 vezes mais comum em mulheres do que em homens. Além disso, foi calculado que menos de 50% estavam fazendo tratamento medicamentoso.
O que pode causar depressão?
A depressão pode ser desencadeada pelo somatório de fatores genéticos, alterações nos processos químicos cerebrais e fatores ambientais.
O fator genético (por exemplo, se a sua mãe ou seu pai possui a doença) aumenta o seu risco em 70% para o desenvolvimento da depressão. Esse fator, associado a eventos de grande impacto emocional como abuso sexual, negligência afetiva, morte de alguém próximo, crise conjugal, separação, problemas no trabalho, entre outros, pode culminar em alterações químicas cerebrais que, por sua vez, podem desencadear a depressão.
O estilo de vida também pode influenciar para o bem ou para o mal, pois entra como fator ambiental. Logo, padrão de alimentação rico em iFood, sedentarismo e consumo de substâncias tóxicas ao organismo, como álcool, drogas e até mesmo alguns medicamentos são fatores negativos importantes para o desenvolvimento desta doença.

Quais os sintomas da depressão?
- Apatia
- Cansaço extremo
- Dores musculares intensas
- Tristeza profunda
- Choro fácil
- Distratibilidade
- Perda de interesse por atividades que antes davam prazer
- Problemas de concentração e memória
- Sensação de falta de energia
- Baixa autoestima, sentimento de menos valia
- Sentimento de culpa excessiva
- Baixa da libido ou aumento excessivo da libido
- Irritabilidade e ansiedade
- Pensamentos de morte ou suicídio
- Vontade de sumir e de desaparecer
- Alterações no sono (insônia ou sonolência excessiva)
- Alterações para mais ou para menos no apetite
De modo geral, a depressão é caracterizada por um quadro bem variado desses sintomas, e quando a combinação de alguns deles persiste por mais de duas semanas, é um forte indício que você está com depressão.
Depressão muito além da tristeza
Mesmo que você não venha passando por momentos de tristeza profunda, ainda assim você pode ter depressão.
Se você, por exemplo, sente falta de energia e ânimo por mais de duas semanas e seus exames laboratoriais estão normais, você pode ter depressão.
A depressão interfere na produção de neurotransmissores específicos que atuam no sistema de recompensa e no estado de alerta, resultando portanto em sintomas como desânimo, apatia, sensação de falta de energia, ausência de prazer, medo excessivo, entre outros.
Preconceito e o suicídio
Infelizmente, apesar dos avanços da medicina, a depressão, bem como toda doença psiquiátrica, é subestimada pelos parentes e pessoas próximas e ainda existe muito preconceito.
A depressão é uma doença como qualquer outra; como diabetes, hipertensão, câncer… e, portanto, pode acometer qualquer pessoa em qualquer idade e necessita que seu tratamento seja levado a sério.
Ninguém menospreza os sintomas de uma pessoa com câncer ou diz para “parar de frescura”, mas há quem faça e fale isso para quem sofre de depressão, o que é um engano gravíssimo.
Depreciar, criticar e desvalorizar pessoas com depressão contribui para o aumento de casos de suicídio.
Segundo a OMS, o suicídio é a 3ª causa de morte entre jovens de 15-29 anos, infelizmente.
Entenda como e por que o seu estilo de vida influencia a sua saúde mental
Há alguns anos era considerada a hipótese, devido ao baixo avanço da medicina, de que o cérebro era uma estrutura rígida, sem plasticidade, que não possuía capacidade regenerativa e, portanto, que não era possível formarem-se novos neurônios.
Acreditava-se que a gente nascia com um determinado número de neurônios, passava por um momento na infância que se chama “poda neural”, e pronto: o cérebro ia ficar daquele jeito pro resto da vida. Mas não é assim.
Hoje com o avanço da medicina, sabe-se que o cérebro possui neuroplasticidade. E o que é neuroplasticidade afinal?
É a capacidade que o sistema nervoso possui de se adaptar, modificar sua forma estrutural e funcional em resposta aos estímulos e experiências ao qual somos expostos.
É graças a essa neuroplasticidade – também chamada de plasticidade neuronal- que somos capazes, por exemplo, de voltar a fazer atividades habituais após um acidente que resultou em lesão cerebral (depende da região, claro), sem muitas vezes precisar criar novos neurônios.
Mais ainda. A plasticidade cerebral faz com que a gente consiga formar memórias, aprender uma habilidade nova, esquecer uma habilidade, se acostumar a alguma circunstância que nos incomoda.
Em suma, é a capacidade do nosso sistema nervoso em modificar as conexões dentro dele, a fim de responder melhor às adversidades.
Certo, Doutora… mas o que tudo isso tem a ver com o estilo de vida?

Calma! Estamos quase lá.
Você entendeu que o bom funcionamento cerebral depende diretamente de uma boa neuroplasticidade, não é mesmo? Pois então!
Com todo avanço da medicina, já podemos afirmar com segurança quais fatores influenciam negativamente e positivamente na neuroplasticidade. E pasme…
…O transtorno mental seja ele qual for – depressão, ansiedade, insônia, bipolaridade, TDAH, até mesmo estresse crônico, entre outros- é neuroTÓXICO, ou seja, prejudica a neuroplasticidade, faz mal ao cérebro, causando uma desestruturação e destruição, por assim dizer, dos neurônios.
Além disso, ocasiona diminuição da BDNF – proteína importante para o bom funcionamento cerebral, aumenta o volume da amígdala (região do cérebro responsável pelo medo e estado de alerta) e diminui o volume do hipocampo (região do cérebro responsável pela resiliência), dentre outros malefícios..

Eu sei que ler isso, ao primeiro momento, pode parecer assustador, mas como você viu anteriormente, graças a neuroplasticidade, neurônios podem ser recuperados e as conexões neuronais podem ser refeitas..e é aqui que o bom estilo de vida entra!
É buscando ativamente por uma vida saudável que você pode: diminuir os efeitos de um transtorno mental já instalado – precisando menos do uso de medicação, por exemplo; e até mesmo prevenir o aparecimento de um novo transtorno mental.
Certo, mas como???
Veja abaixo, os 4 principais fatores que auxiliam na neuroplasticidade:
1. Atividade física regular.
Em apenas 3 meses desta atividade é possível verificar o aumento do fluxo sanguíneo para o hipocampo (região responsável pela nossa resiliência) que estimula, por sua vez, o aumento da produção de novos neurônios.
Após 1 ano de atividade física, inicia-se a produção do BDNF (proteína cerebral que geralmente está reduzida nos transtornos mentais), que corrobora, por sua vez, com novas conexões neuronais, além de ser fator protetivo para Alzheimer.

2. Padrão alimentar rico em polifenóis.
Alimentos ricos em polifenóis são anti-oxidantes, e tem como exemplo frutas e vegetais (verdes escuros, principalmente). É a regularidade da ingestão, ou seja, é o ato de se alimentar “dia após dia” que estimulam a plasticidade neuronal.
3. Terapia
A terapia cognitiva comportamental (TCC) submete o paciente a uma experiência afetiva e intelectual que favorece o aprendizado para a mudança de comportamento (neuroplasticidade), melhorando a visão sobre si e sobre a realidade. É comprovado que a terapia promove um aumento do volume do hipocampo (região do cérebro responsável pela resiliência), e diminuição do volume da amígdala (região do cérebro responsável pelo medo e estado de alerta); regiões estas que são alteradas de modo oposto pelo estresse crônico e outros transtornos mentais.
4. Medicação
Sim, você leu certo. Tem algumas medicações que podem tanto estimular a neuroplasticidade quanto servir como fator protetor, não é maravilhoso?
A Fluoxetina e o Carbonato de Litio são exemplos disso. São capazes de estimular a regeneração do sistema nervoso; aumentar a produção da BDNF (proteína cerebral que geralmente está baixa nos transtornos mentais) e a formar novas conexões cerebrais.
Como se dá o diagnóstico?
O diagnóstico da depressão é clínico e não há marcadores biológicos e/ou exames que diagnostiquem depressão. É realizado pelo médico, após escuta atenta e coleta completa da história do paciente, com posterior articulação entre os sintomas, situação da saúde mental do paciente com os critérios definidores da doença.
Eu, Dra. Veronica, atuo na área de psiquiatria, atendo online, estou aqui para te ajudar e trato de depressão. Se você se identificou com algum desses sintomas ou conhece alguém que apresente, entre em contato para iniciar tratamento ou para maiores informações.
Oi boa noite eu tenho depressão crises de ansiedade não tenho vontade nenhuma de fazer meus afazeres que tinha antes já me senti com vontade de tirar minha vida.
Tenho horas que não quero mais acordar sinto vontade de chorar muito ou ir no mato e ficar gritando por várias horas
Olá, Marta.
Não passe por isso sozinha, eu posso imaginar o quanto voce tem sofrido.
Busque ajuda, conte comigo.
Obrigado por estes ricos conteúdos, estou nesta situação há quase 1 ano, vou colocar em pratica,pois os exames praticamente estáveis, pois perdi de forma covarde e trágica a vida de minha mãe, pessoa mais importante de minha vida..
Olá, Joarez.
Poxa vida, posso tentar imaginar o quão difícil deve ser perder a mãe. Eu sinto muito.
Fique firme, e se ver que não está dando conta de lidar com isso sozinho, busque ajuda profissional. Conte comigo.
Estou com todos esses sintomas, inclusive tem o fator genético, irmão cometeu o suicídio e minha mãe não pode ficar sem medição pelo resto da vida. E além de tudo ainda tenho que conviver com um marido que tem depressão e não aceita ajuda. Me sinto desesperada!
Olá, Aline.
Poxa vida, você está inserida numa situação complexa e é mais um motivo para que voce cuide bem da sua saúde mental.
Se precisar de ajuda profissional, marque uma consulta, não se deixe para depois.
Abç
A dra Veronica é uma médica maravilhosa. Escuta com carinho e respeito e busca com isso adaptar o melhor tratamento para o paciente.
Muito obrigado pelo seu comentário tão gentil! Fico muito feliz em saber que consegui transmitir esse carinho, respeito e dedicação no atendimento. Meu objetivo é sempre oferecer o melhor cuidado possível, levando em consideração as necessidades de cada paciente. Sua avaliação é muito importante e me motiva a continuar empenhada em proporcionar um atendimento de qualidade.
Qual melhor. medicação para bipolar
Olá, Maria! São muitas variáveis que definem a medicação, por isso que é necessário uma avaliação médica para discernir a melhor opção.
Por exemplo: o paciente é mulher ou homem? é jovem ou é idoso? tem outras doenças associadas? tem ideias suicidas? Já tentou suicidio antes? é virgem de tratamento?