A sua depressão nunca melhora? Você pode ter recebido o diagnóstico errado.
Para fins didáticos, podemos dizer que existem dois tipos de depressão: a depressão bipolar — que é a depressão que ocorre em pacientes que possuem bipolaridade — e a depressão unipolar — que é a depressão que ocorre em pacientes sem bipolaridade.
A bipolaridade é um transtorno de humor complexo e, por isso, pode ser confundido facilmente com inúmeros transtornos mentais, como por exemplo: ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de personalidade borderline, TDAH, esquizofrenia… Mas a realidade é que nenhum diagnóstico é tão confundido quanto a depressão unipolar. E esse é um dos motivos pelos quais o diagnóstico de depressão bipolar — seja ele tipo 1 ou tipo 2 — acaba por demorar uma média de 10 e 18 anos, respectivamente.
Médica especialista em depressão bipolar e unipolar
Dra Veronica Licitra é médica, atua na área de psiquiatria, é especialista em depressão bipolar e unipolar, e tem tratado muitos pacientes com esses transtornos, inclusive os casos graves e resistentes.
Atualmente a Dra Veronica estuda com enfoque em tratamentos com medicações mais modernas que não causam dependência.

Mas quais os sintomas de depressão?
- Tristeza insistente (humor deprimido)
- Fadiga (energia reduzida e cansaço extremo)
- Mudanças significativas no apetite (que pode gerar perda ou ganho de peso)
- Sentimentos de impotência, vazio, inutilidade e desesperança
- Sono excessivo ou insônia
- Preocupações excessivas
- Lentidão (mental e física)
- Autoestima baixa
- Dificuldade de concentração e de memória
- Desinteresse pelas atividades habituais
- Isolamento social e pensamentos suicidas
E como diferenciar uma depressão bipolar x unipolar?
Os sintomas em geral são os mesmos. No entanto, existem algumas características que são mais comuns na depressão bipolar. Estas são algumas condições e circunstâncias típicas de casos de bipolaridade:
- Alta penetrância genética da família: quando 3 gerações da sua família já tiveram a doença. Exemplo: o pai, o avô e o filho com alteração de humor.
- Havendo parente em primeiro grau (pai, mãe, filho ou irmão) com diagnóstico de bipolaridade, as chances de manifestar a doença aumentam em 10x.
- O primeiro episódio de depressão ocorreu antes dos 20 anos de idade.
- Quando ocorre depressão pós-parto e em especial com a presença de sintomas psicóticos (delírios de perseguição, ouvir vozes).
- Depressão com sintomas neurovegetativos reversos, ou seja, comer e dormir demais.
- Intensa lentificação psicomotora, sensação de estar vestindo um casaco de chumbo.
- Temperamento hipertímico, ou seja, pessoas que são naturalmente mais extrovertidas, falantes e animadas.
- Respostas atípicas a antidepressivo, ou seja, após o início: 1 — Não vê nenhum efeito, “mesmo que tomar água”. 2 — Faz efeito no início e perde-o após alguns meses. 3 — Tem piora dos sintomas. 4 — Virada para euforia.
- Uso de mais de 5 antidepressivos ao longo da vida.
- Mais de 5 episódios depressivos durante a vida.
- Se apresentam com depressão mista: energia baixa, insônia e irritabilidade.
Quanto mais dessas condições estiverem presentes, maior é a chance do indivíduo ser bipolar.
Diagnóstico não é rótulo
Diagnóstico não é rótulo, apenas serve para direcionar o tratamento, pois o diagnóstico correto define o tratamento.
Já imaginou o quão sofrido deve ser ter uma doença por mais de 10 anos sem tratamento adequado por falta de diagnóstico?
Quando a depressão é “pura”, ou seja, é unipolar, o tratamento é feito apenas com antidepressivos. Já a depressão bipolar é feita também com estabilizadores de humor e/ou antipsicóticos.
Tratar a depressão bipolar como unipolar é como tratar uma infecção viral com um remédio para bactéria: não vai funcionar.
E essa falta de tratamento deixa o paciente mais susceptível à variação de humor, levando à imprevisibilidade, o que torna ainda mais difícil a vida não apenas para o paciente, mas para as pessoas de seu convívio, pois os altos e baixos têm grande impacto na vida social, no trabalho e principalmente no âmbito familiar.
Mais ainda: quando o bipolar é tratado apenas com antidepressivos, além de não melhorar, há uma piora do quadro mental, pois nessa doença há uma deficiência do BDNF (fator neurotrófico cerebral) — substância responsável pela preservação dos neurônios e desempenho neurológico —, a qual não é sanada com o tratamento para depressão unipolar.
A falha de diagnóstico pode acarretar conseqüências catastróficas na vida do paciente bipolar, já que é sabido que estes, seja tipo 1 ou tipo 2, passam grande parte de suas vidas com depressão. No caso do tipo 1, eles têm em 60% da vida humor normal, em 10% mania e em 30% depressão. No tipo 2, passam 50% da vida com humor normal, 49% com depressão e 1 % com hipomania.
A dificuldade do diagnóstico, então, é dada por 2 fatores: complexidade da própria doença e falta de qualificação profissional.
O apoio familiar e/ou conjugal é fundamental, aprenda o que fazer:
- Demonstre apoio: Ainda há muito preconceito com essa doença, e, devido a isso, muitos pacientes têm vergonha e/ou medo por receio da reação de seus familiares. Ofereça acolhimento e proatividade em ajudar.
- Não julgue ou critique: Apesar de ser extremamente difícil lidar com a imprevisibilidade de humor deles, tenha sempre em mente que eles possuem uma doença, então tente conversar de forma calma e tranqüila. Pois em momentos de crise, eles tendem a apresentar comportamentos mais hostis, e evitar entrar na discussão e conversar em outro momento é a melhor opção.
- Ajude-o a reconhecer sinais de alerta: o reconhecimento dos sintomas de forma precoce pode evitar maiores danos. A melhor pista é a mudança comportamental, seja para o pólo eufórico (necessidade reduzida de dormir, pensamento acelerado), seja para o depressivo (tristeza, fadiga, insônia).
- Incentive a adesão ao tratamento e participe junto
A variação de humor pode comprometer a aceitação do tratamento, abrindo brecha para mais e mais episódios, seja ele depressivo ou eufórico. E, quanto mais episódios, mais degeneração neuronal. Logo, ajude-o com a adesão, se interessando pelo tratamento, participando da consulta se for conveniente e se colocando à disposição para qualquer eventualidade.
Eu, Dra. Veronica, atuo na área de psiquiatria, estou aqui para te ajudar e trato de transtornos de humor. Se você se identificou com algum desses sintomas ou conhece alguém que apresente, entre em contato para iniciar tratamento ou para maiores informações.
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